Uma nuvem de fumo que desvanece
Alerta-nos para o perigo eminente
O final da ronda, por muito que pendente
Nunca dá a cada um, o que cada um merece
Não deixando rasto de nenhum predicado
Como o ponto final num texto de Saramago
Com a mesma impetuosidade de um suspiro vago
Grito de última estância de um coração injuriado
Negando qualquer vislumbre de presunção
Afasto de ti o holofote da responsabilidade
Que não olha a credo ou a idade
Mas sim ao fundo da maior afirmação
Quando pensamos que conhecemos alguém
Alguém nos mostra que não conhecemos ninguém
Nem a nós mesmos.
