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Arquivos mensais: Dezembro 2011

Uma nuvem de fumo que desvanece
Alerta-nos para o perigo eminente
O final da ronda, por muito que pendente
Nunca dá a cada um, o que cada um merece

Não deixando rasto de nenhum predicado
Como o ponto final num texto de Saramago
Com a mesma impetuosidade de um suspiro vago
Grito de última estância de um coração injuriado

Negando qualquer vislumbre de presunção
Afasto de ti o holofote da responsabilidade
Que não olha a credo ou a idade
Mas sim ao fundo da maior afirmação

Quando pensamos que conhecemos alguém
Alguém nos mostra que não conhecemos ninguém
Nem a nós mesmos.

Por vezes, mataria
Faria da caneta espada de samurai

Rogaria o mais alto possível
Elevando o pouco que resta de masculinidade
Nada típico desta tenra idade
Que não passa de uma fase tangível

Capaz de se fazer sentir num passeio à beira rio
Uma praia inventada por essa mesma imaginação
Onde ficariam esquecidas as nossas pegadas
Como letras de cartas de qualquer coração
Que com versos disfarçados de risadas
Enchem folhas e folhas em vão
Enchem folhas e folhas, com pequenos nadas.

Ainda me lembro como se estivesses à minha frente.

A tua pele clara e suave, o teu toque ao de leve
O teu apaziguante acariciar
As rendas das calcinhas de branca, neve
E um especial je ne sais pas
Que não sei porquê, me faz sorrir.

As pernas de pele macia que convida ao toque
As coxas que iniciam o que não deve ser iniciado
Despertados de instintos famintos, à espera de um mote
Para soltarem o Bruto, abandonado

A cintura que encaixa num braço
Com força e firmeza no trato
As costas onde a mão desliza, erro crasso
Quando se desce de mais para o sítio exacto

Os ombros de mulher e cara de criança
O sorriso inocente que esconde tanto…
A paixão afastada de qualquer mudança
Que sobre a forma de uma lança
Tapa a história com amor e um manto

A vontade incessante de perpetuar
Alongar ao máximo o suspense
E deixar de lado, deixar ao canto
Qualquer dúvida de romance

Gostava de escrever o meu testamento.
Voltar para mais um dia à porta da campa
Voltar numa outra forma, noutro conhecimento
Voltar e reescrever a escritura santa.

Quero escrever o guião do Mundo
Onde as personagens são criadas à minha ideia
Criadas ao meu gosto
Onde todos fazem aquilo a que não estou disposto
Onde é mais do que sangue, o que lhes corre em cada veia
Onde tudo é apagado e reinventado
Num segundo.

Quero ter a caneta do Infinito
A caneta com a tinta abençoada
Que torna tudo aquilo que é escrito
Numa linha que diz tudo
Sem ser escrever nada....

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