Sinto a rotina a pesar mais e mais em cima
Os passos habituais tornam-se demais, demasiados
A rotina que me amotina
E torna os passos passados mais pesados
E ao olhar sobre o ombro, não vejo palácios erguidos
Vejo folhas rasgadas com sonhos ainda esquecidos
O calor da cadeira prende-me a ela e não me deixa viver
De que me serviriam as pernas se não pudesse correr?
De que servia a liberdade se não fosse para aproveitar?
De que serve viver se não conseguires amar?
De que serve amar se não te sentes satisfeito?
Se sempre que vês um espelho tens um aperto no peito
Saberes que estas com alguém que merece tudo o que tens
Mas o que tens não é nada e é do nada de onde vens
Que orgulho tens tu no teu rotineiro dia-a-dia?
Se tu não tens futuro de que serve tanta mania?
De que serve levantar a cabeça se nada à tua volta é teu?
De que serve arranjar desculpas se a desculpa já morreu?
Levanta-te da cadeira e segue o teu caminho
Se tu não o deres esse passo, ele não se vai dar sozinho.
Talvez lembrar o passado me tenha feito bem
Não o passado recente, o passado em que não era ninguém
Não era eu mesmo, nem sabia quem era
Quando ainda ficava contente por chegar a primavera
Quando ser escuro cedo ainda me estragava o dia
Quando saía das aulas em plena correria
Quando ainda não fazia o que queria
Mas talvez era a altura em que mais sorria
Reviver os irmãos que me acompanharam
Lembrar os momentos bons que passaram
Aprender a ouvir com quem antes falava
Encontrar quem eu era e o que me faltava
Ver o que fazia e no que me tornei
O que ontem sonhava mas é certo que não serei
Tudo aquilo que vivi e tudo o que errei
Mas nada de muito mau, eu sei eu sei
Ainda há tanto tempo, tanto pela frente
Aproveita agora enquanto a vontade está quente
Olha-te ao espelho e vê bem a tua sorte
Guia-te pelo amor que sempre te apontou o Norte
O amor que esta lá para ti e que te chama
Faz tudo isso por ti, faz isso por quem te ama
Pela grande mulher que sabes que tens ao teu lado
Que de uma forma inocente te deixou apaixonado
Pensa no futuro, no presente e no passado
Relembra-te só aquilo que merece ser lembrado
E sabes tão bem como eu, que ela o merece
Se fosses religioso dizia que Deus ouviu a tua prece
Tens alguém na tua vida que te dá algum sentido
Que te aperta forte a mão e que não te deixa ficar perdido
Pensa na mulher que amas e tens vontade de abraçar
Pensa se não lhe queres dar um motivo para se gabar
Pensa se não queres dar-lhe o maior orgulho do Mundo
Em voltares-te a erguer, voltar a sair do fundo
É mais fácil falar do que fazer
Mas não ganhas a maratona se não começares a correr
Correr, como nos velhos tempos
Onde corriam as tardes mas ficavam os momentos
Quando a vida não tinha nem noites nem mulheres
Tinha tardes a jogar e ainda tinham ‘quantos queres’
Tinham irmãos, que ainda hoje o são
Uns foram-se perdendo, outros sei que ficarão
Mais que uma família, mais que um pouco de tudo
Mais que dialogo mesmo quando ficas mudo
Quem te conhece aos anos, e aos dias que ainda passarão
Quem viveu contigo cada sonho e ilusão
Mas ilusão, pode ser realidade
Um misto de amor, com empenho e vontade
Talvez fosse disso, que tinha falta
Poder dizer que passei uma noite com a velha malta
E eu sei disso tudo, mas precisava de escrever
Porque se não pudesses mudar, do que serviria aprender?
Vamos fazer mudanças






